Memória perdida coloca em risco o legado empresarial

Vez por outra chegamos tarde demais, ou quase tarde, em empresas que querem contar sua história. Algumas, antes da decisão de se envolverem com um projeto de resgate e perpetuação de sua memória, descartam documentos, imagens, objetos  e outros materiais que gestores e funcionários entendem fazer parte de uma espécie de “arquivo morto”. Na falta de critérios técnicos e de uma visão mais ampla do que é útil para compor a história de uma empresa, informações relevantes acabam sendo destruídas.

Outras vezes, a memória empresarial se perde quando pessoas se desligam da companhia, levando consigo preciosas vivências do ambiente de trabalho, lembranças que marcaram a elas mesmas ou aos colegas e, por consequência, a história da empresa. É bom lembrar que isso pode acontecer não apenas com funcionários (pensando que esses passam por uma maior rotatividade no quadro de recursos humanos), mas também com gestores e até com fundadores que, por diversas razões, não deixam registrados seus conhecimentos, modos de fazer, lembranças de casos e até os bastidores de fatos importantes. Certa vez, um trabalho de busca documental que fizemos esclareceu – pelo resgate da publicação no Diário Oficial – a data exata do aniversário de uma empresa, até então dúbia.

Seria exagero dizer que este tipo de perda inviabiliza a execução das pesquisas e levantamentos, porém, faz falta de verdade. Mas grave e irrecuperável mesmo é a ausência de testemunho de pessoas da empresa, especialmente fundadores, que já faleceram e levaram consigo vivências e impressões que seriam importantes para o processo de investigação da história corporativa. Não só a morte é o empecilho extremo, mas também o esquecimento e doenças contribuem para esta perda.

O resgate histórico é, sobretudo, uma ferramenta valiosa para ser utilizada no presente das empresas que miram um futuro e valorizam seu passado. Por isso, a decisão de contar uma história corporativa pode ser o limite entre ter ou não um registro oficial – escrito, gravado ou filmado. Quando a empresa percebe que tem um legado a deixar, que contar a sua história faz parte desse legado, seus gestores deveriam ter em mente um provérbio chinês que diz “é preciso cavar o poço antes de sentir sede”.