História corporativa: uma grande colcha de retalhos

Levantar a história de uma empresa causa uma leve sensação de frio na barriga, daquele tipo que antecede uma subida ao palco ou a ansiedade comum ante o encontro de algo totalmente novo. É sempre surpreendente a riqueza do que pode brotar da apuração da história e isso não depende necessariamente do segmento de negócio.

É certo que alguns setores empresariais, com atividades mais áridas, mais “duras”, podem causar a dúvida sobre se é possível contar suas histórias de maneira instigante, descortinando um relato envolvente. Pois é certo também que algumas áreas são mais sensíveis e visíveis ao olhar do público, porque revelam serviços ou processos mais próximos da sociedade e, aparentemente, podem gerar maior apelo afetivo e de interesse do leitor. No entanto, grandes são as surpresas que um trabalho de memória.

Na Outono, já nos deparamos com histórias de empresas da área industrial – supostamente “sisudas” – que demonstraram que o tipo de dúvida acima citado não faz sentido. Extraímos dessas empresas belas e inteligentes narrativas, porque o que marca a memória de uma companhia não é somente sua estrutura física ou sua atividade produtiva em si. Mas, (Eureka!), são as pessoas que constroem a memória das empresas, que dão vida ao que se fez, ao que aconteceu no interior das casas, dos prédios, das salas ou das plantas industriais.

As histórias de vida estão intrínseca e umbilicalmente ligadas ao mundo corporativo e, por isso, costumam ser o fator que determina o rumo da empresa e o legado que será traduzido nas páginas de um livro. Muitas das lembranças de acontecimentos ocorridos no ambiente de trabalho são associadas aos momentos pessoais de gestores e de funcionários como, por exemplo, casamento, nascimento dos filhos, viagens ou mesmo dramas familiares ou períodos difíceis. Numa das histórias contadas pela Outono em livro, um engenheiro ressaltou que conhecer a mulher que se tornaria sua esposa só foi possível por ele ter sido convocado para conduzir uma obra na cidade onde ela morava. O que marcou sua vida para sempre, tanto no campo pessoal quanto do trabalho.

Uma imensa colcha de retalhos se forma a partir de interlocuções diversas, da contribuição de cada um dos entrevistados, do que se descobre examinando, conferindo e reunindo documentos da empresa. Juntos, os diferentes elementos, relatos e fontes documentais formam o recheio, a “argamassa” da obra de memória que, bem preparados, unem os tijolos de uma grande parede. Valendo-nos ainda desta metáfora, quando a liga da massa chega ao ponto certo, não tem erro. A história está pronta para ir ao forno.